A oração de hoje
Tire alguns minutos para respirar, desacelerar e ouvir esta mensagem com calma.
Pai, nesta noite de sexta-feira eu paro, e o que sinto é saudade. Saudade de pessoas, de um tempo, de mim mesmo antes de Te conhecer. Essa saudade hoje vira oração. Eu ainda não sei rezar como quem reza há muitos anos. Minha fé é pequena e às vezes duvido. Tu sabes disso. Não vou fingir certeza que não tenho. Mas continuo aqui, falando contigo, porque descobri que Tu não desprezas a voz que treme. O que me traz até Ti esta noite é a cura que eu nem sei pedir direito. Eu carrego marcas antigas, algumas que nem sei nomear. E peço, com o pouco de fé que tenho, que Tu entres onde eu não consigo entrar. Vejo no quintal o galho seco onde nasceu broto novo. Ele me lembra que Tu trabalhas no que parece morto. Se Tu podes fazer broto onde não havia nada, podes também fazer florescer em mim o que eu já tinha desistido. Há noites em que a casa silencia, e o peso volta. Mas eu me lembro do cobertor que aquece a noite inteira, e penso em Ti. É isso que peço, Senhor. Sê para mim como esse cobertor, que fica mesmo quando o frio não vai embora. Meus pés, mesmo velhos, ainda reconhecem os passos que reconhecem o caminho de casa sem pensar. É assim que quero voltar pra Ti. Sem mapa, sem certeza, só com o corpo que aprendeu o caminho. A cura que eu peço talvez não seja a que imaginava. Talvez seja esta, de aprender a rezar a saudade em vez de fugir dela. De deixar a dúvida conviver com a fé. De acreditar que florescer também é coisa de quem chega tarde. Obrigado por me ouvires mesmo quando eu não sei dizer direito o que quero. Obrigado por esta noite, por este silêncio, por Tua paciência comigo, amém.
versículo do dia
Eis que farei uma coisa nova, agora surgirá; por acaso não a reconhecereis? Pois porei um caminho no deserto, e rios na terra vazia.
Isaías 43:19